HO! HO! HO!

Normalmente eu sou convidado para fazer propaganda, mas a falar sobre, admito, foram raríssimas oportunidades. De qualquer modo, desculpe a pouca modéstia, não posso negar que tenho algum conhecimento da área, afinal estou nesse negócio há tanto tempo quantos são os fios da minha branca barba. Se vocês tiverem paciência pra ouvir um pouco esse velho gorducho e bonachão, entre uma chaminé e outra vou tentar contar um pouco da minha história.

Antes, porém, para agradecer este espaço à Anima vou contar um pequeno momento que nos envolveu e muito me emocionou. Foi há quase dez anos. Eles criaram a campanha de um shopping em que o Papai Noel [eu no caso], não usaria as já tradicionais roupas vermelhas. Antes das filmagens começarem, quando escolhiam como figurino um belo terno escuro de listras e com colete, o ator [um senhor alto de traços fortes e sem barriga] de óculos de leitura, camiseta, e bermudas, colocou o lindo gorro que prepararam para que ele me representasse. Um menino de uns sete anos largou da mão da mãe, caminhou até ele e disse com toda a confiança de quem estava diante do Papai Noel “eu quero um vídeo-game”. E o ator não decepcionou nem a mim nem ao menino, conversando com ele e me mantendo vivo naquela criança. Mesmo depois de tanto tempo aquele ator ainda é confundido comigo. Na minha avaliação, mais do que uma sacada, como vocês publicitários dizem, foi a compreensão dos sentimentos que movem as pessoas. Para usar as próprias palavras de vocês da Anima, “afinal, do que a propaganda é feita senão de tudo aquilo que não é propaganda?”. Obrigado amigos da Anima.

Minha história
São muitas as versões que você vai ouvir por aí. Se buscar por “história de Papai Noel” na rede, vai achar tantas coisas que, às vezes, até eu me confundo sobre qual é a real. Acho que nenhuma e todas. O indispensável é acreditar. Sem voltar muito no tempo, foram os alemães, quem primeiro me transformaram em garoto propaganda do Natal. Rapidamente, como que puxada por um trenó voador, a fama se espalhou pelo mundo chegando até a América do Norte – onde sou conhecido como Santa Claus.

Aliás, essa coisa de nomes é muito engraçada. Em Portugal sou Pai Natal; na França Perè Noel; para os ingleses Father Christmas; na Holanda Kerstman; no México El niño Jesus; na Espanha Papá Noel; no Japão Jizo; na Dinamarca Juliman e por aí vai. Como a associação da minha imagem ao Natal se espalhou, muitas das vezes, levada por marinheiros de um continente a outro, é possível que tenha sido por conta da própria comunicação boca-a-boca que ocorreu a miscigenação do nome a cada cultura. Tem seu lado bom, imagine se precisasse de visto para entrar em cada país. HO! HO! HO!… Desculpe, não pude resistir. Apesar dos nomes diferentes, em toda parte o espírito é sempre o mesmo e é aí que a mágica acontece.

A essa altura o papai aqui já era totalmente vinculado ao Natal e todos me pediam presentes. Mas o sucesso na mídia começou mesmo quando em 1886, o ilustrador Thomas Nast me desenhou um novo figurino e publicou o desenho em uma edição natalina da revista Harper’s Weeklys. Ao contrário dos trajes marrons que usava antes, aqueles nunca mais caíram de moda. Bom, quem é publicitário sabe que vermelho é vermelho. Curiosamente isso aconteceu no mesmo ano em que a Coca-Cola lançava um remédio, mas, ao contrário de que teriam sido eles os responsáveis por essa minha imagem, só em 1930, é que comecei a beber Coca. Antes disso já havia feito comerciais para Colgate e Michelin.

Desde então você já sabe: fabricar milhões de brinquedos, cruzar os céus de trenó e descer por chaminés. Tudo para, numa única noite, realizar pedidos e mais pedidos pelos quais só faço uma única exigência: que todos tenham sido bem comportados no ano que passou. É um trabalho duro! Mas, se exige tamanho esforço, a recompensa também é grande porque a mim é dado o privilégio de enxergar a criança de cada um. Nada substitui a reação que causo. Crianças! Especialmente os olhos das crianças. É pelos olhos que sei a idade delas.

Para vocês que lêem essa news letter, sejam anunciantes ou publicitários, peço que em seus anúncios respeitem tudo que represento e que renasce dentro de cada pessoa quando ouve um HO! HO! HO! Como vocês sabem, não cobro royalties pelo uso da minha imagem, e olha que ela tem sofrido cada abuso. Não insultem a inteligência das pessoas senão elas também não respeitarão o seu produto.

Agora, você que é do ramo, seja sincero, você já viu anúncio com um título melhor do que esse “HO! HO! HO!”? Até os diretores de arte gostam. Funciona bem em todas as mídias, é universal – dá o recado para todos os públicos e em qualquer lugar do mundo – e até quem diz que não acredita, entra no clima.

UM FELIZ NATAL!!!

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Kriss Kringle [Criança de Cristo].
É assim que os alemães me chamam.
Papai Noel para vocês.

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