Carrocinha à vista

 

David Ogilvy tinha razão. Em seu livro “David on advertising”, ele nos narra dentre tantas histórias e conselhos aos jovens profissionais da área, que não adianta comprar um cachorro se quem vai latir é você. Esta analogia se aplica, perfeitamente, a algumas relações entre cliente e agência. Quer ver?

Uma agência é uma empresa que não nasce do dia para a noite e nem se forma por qualquer tipo de profissional. De certa maneira, trata-se de um conjunto de conhecimentos que são colocados ao dispor dos clientes, para que ele se comunique corretamente com seus públicos e atinja os resultados que deseja, sejam eles quais forem. Experiência, vigor, talento e inquietude. Essas são somente algumas das qualidades disponíveis nas boas agências e que também são colocadas à disposição dos clientes e de suas empresas.

Ainda, assim, clientes experientes contratam excelentes agências e querem ensinar a elas o que fazer. Esquecem-se do seu papel, orientador e líder de todo o trabalho, para se preocupar somente com a comunicação. Ora, por vezes, podendo até deixar de lado aspectos estratégicos no ambiente macro da empresa.

Longe de nós impedir o cliente de participar do processo. Entendemos e apoiamos clientes que são verdadeiros “criativos” e que curtem dar suas sugestões e idéias. E que vez ou outra participam, ativamente, do brainstorming. Que querem aprender mais sobre publicidade. Mas, daí a se submeter a todos os “caprichos” de um cliente que não prova nada e sim ordena, existe uma longa distância. Assim como as crianças que estão descobrindo o mundo, queremos saber os porquês de tudo e só acreditamos nas ações que tem esses mesmos porquês. Melhor ainda, se eles vierem através de pesquisas.

É por isso que respeito é tão bom e que gostamos dele. Temos pouquíssimos casos de fracasso com clientes que cumpriram o seu papel e nos deixaram cumprir o nosso. E vale lembrar ainda, que nesse caso, o trabalho é feito com muita alegria. Já os casos de clientes como os de perfil apresentado acima invariavelmente apresentam problemas. Seja no começo ou no fim da relação. É como aquele namoro que começa errado: pra consertar precisa de muita compreensão de ambas as partes e olha lá se ainda é possível.

Quando eu era criança morria de medo da carrocinha. Tinha um dó danado dos cachorrinhos que ficavam lá dentro. Minha mãe dizia que eles iam virar sabão. Hoje, quando encontro um cliente que quer latir no meu lugar, fico olhando e pensando na minha infância e torcendo pra carrocinha passar.

autor Tininha

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